Um grupo de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) acaba de solicitar ao Ministério da Fazenda que investigue a suspeita de prática de preços abusivos pelas montadoras instaladas no Brasil.
Demorou, mas, finalmente, o MPF percebeu que, no Brasil, um carro pode custar até o dobro do preço de um mesmo modelo vendido nos Estados Unidos.
O pedido de investigação foi aprovado em voto coletivo pela 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, órgão do MPF que defende os direitos do consumidor.
O MPF estabeleceu prazo de 180 dias para que o Ministério da Fazenda conclua a investigação.
DIFERENÇAS
Em fevereiro deste ano, durante congresso dos distribuidores de veículos dos Estados Unidos, a Associacion de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina divulgou os preços do Corolla em três países: nos Estados Unidos, o carro custa US$ 15.450,00; na Argentina, US$ 21.658,00; no Brasil, US$ 37.636,00.
Outro exemplo: o Jetta, que é vendido no México por R$ 32,5 mil, pode custar R$ 65,7 mil no Brasil.
Mais um: o Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui, o preço sobe para R$ 46 mil.
FIAT E VOLKSWAGEN IMPÕEM PREÇOS
Em entrevista recente à AutoInforme, agência de notícias do setor automobilístico, o presidente da PSA Peugeot Citroën, Carlos Gomes, afirmou que os preços dos carros no Brasil são determinados pela Fiat e pela Volkswagen. “As demais montadoras seguem o patamar traçado pelas líderes, donas dos maiores volumes de venda e referência do mercado”, disse.
“O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, afirmou à mesma agência um executivo da Mercedes-Benz para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.000,00 por uma ML 350 que, nos Estados Unidos, custa o equivalente a R$ 75 mil. “Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, provocou.
Conclusão: as montadoras instaladas no Brasil lucram excessivamente, o que reduz o consumo. Se fosse o contrário, produziriam mais, empregariam mais e poderiam perfeitamente pagar melhores salários.
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