O desfecho da Campanha Salarial Unificada 2011 para os metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas traz, mais uma vez, a confirmação da importância da mobilização de todos, que resultou no melhor acordo da categoria em Minas Gerais e em um dos melhores do país em 2011.
Tão logo a negociação teve início, ainda em agosto, os industriais mineiros, representados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), impuseram obstáculos à conquista de aumento real de salários em 2011.
Para isso, buscaram apoiar-se na crise econômica que afeta atualmente os Estados Unidos e os países economicamente mais frágeis da Europa e nos possíveis impactos para a economia brasileira. A visão equivocada de que aumentos salariais representam ameaça à disparada da inflação, por sua vez, foi outro argumento no qual os patrões se referenciaram na tentativa de limitar ao máximo o reajuste a ser pago.
Durante toda a Campanha Salarial, o nosso Sindicato, ao contrário disso, buscou conscientizar os trabalhadores e a sociedade da importância da conquista de aumento real, reajuste dos pisos salariais e abono, como forma de manter aquecido o consumo e, em conseqüência, o equilíbrio econômico do país, da mesma maneira como havia ocorrido durante a crise que varreu o mundo a partir de setembro de 2008, após a quebra do banco Lehman Brothers.
No caso específico dos metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas – região que concentra o segundo maior pólo da indústria automobilística no país – as reivindicações econômicas apoiavam-se ainda no crescimento constante das vendas do setor, que possibilitou a quebra sucessiva de recordes pelas montadoras e fez com que as fabricantes de automóveis liderassem, junto com o setor financeiro, a remessa de lucros para suas matrizes estrangeiras em agosto.
Mas, mesmo em um cenário de crescimento comprovado pelos números, as empresas mantiveram-se avessas à concessão de aumento real.
A resistência começou a ser quebrada com uma greve decretada pelos metalúrgicos da Magna, em 4 de outubro. Bastaram três horas e meia de paralisação para que aqueles trabalhadores conquistassem 10% de reajuste salarial e abono de R$ 1.000.
Simultaneamente, empresas as mais diversas eram visitadas diuturnamente pelos sindicatos que integraram a Campanha Salarial Unificada. As atividades de mobilização contaram com o apoio decisivo dos trabalhadores que, para se informar sobre o andamento da negociação, atrasaram a entrada dos turnos.
Estes fatos fizeram com que, pouco a pouco, a negociação avançasse.
Outro fator que contribuiu também de forma decisiva para a vitória obtida este ano foi a greve realizada pelos metalúrgicos da LM Came, a partir do dia 17 de outubro. A paralisação durou três dias, ao final dos quais os trabalhadores também conquistaram 10% de reajuste, piso salarial de R$ 770 e um acréscimo de R$ 125 ao valor da PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) que havia sido negociada com a empresa no primeiro semestre – além da antecipação do pagamento de parte do valor da segunda parcela, que deverá ser quitada em 2012.
Depois disso, a conquista do aumento real e do reajuste dos pisos foi facilitada.
A mobilização teve papel fundamental ainda para que o abono – que, conforme a Convenção Coletiva assinada no último dia 24, só deverá ser pago por empresas que não possuem programa de PLR – fosse conquistado também na Fiat, Comau e em outras nove fornecedoras diretas da montadora, graças a um acordo exclusivo negociado pelo Sindicato com estas empresas, que garantiu a cerca de 30 mil trabalhadores da região o acesso ao direito.
Cabe ainda destacar os avanços que obtivemos em cláusulas sociais como assistência médica e farmacológica, convênio médico, complemento previdenciário, auxílio-creche e licença maternidade, entre outras.
Também não devemos subestimar a derrota que a mobilização impôs à tentativa da Fiemg de obter autorização para que as empresas utilizassem banco de horas – mecanismo de compensação que os metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas querem ver sepultado para todo o sempre.
Ao longo das últimas semanas, este blog esteve no ar para informar os trabalhadores e a sociedade sobre o andamento da negociação deste ano. Com o término da Campanha Salarial Unificada, queremos nos despedir de todos que por aqui passaram com a convicção, mais uma vez reforçada, de que é o espírito de luta de cada trabalhador e a capacidade de mobilização de todos que nos fará avançar ainda mais daqui para frente.
A luta continua. Siga conosco.
Confira, na próxima edição do jornal 23 de Outubro, o montante em dinheiro que será injetado na economia da região com o reajuste e o abono conquistados pelos metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas. A publicação pode ser acessada no endereço eletrônico www.metalurgicosdebetim.org.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário