quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ECONOMISTA DEFENDE REAJUSTE PARA METALÚRGICOS


A reportagem do blog conversou esta semana com Regina Camargos, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Minas Gerais.

Na entrevista a seguir, ela afirma que a conquista de reajuste salarial pela categoria metalúrgica em 2011 pode contribuir para reduzir o impacto da crise atravessada pelos Estados Unidos e Europa sobre a economia brasileira e diz que as empresas deveriam ser as principais interessadas em manter o poder aquisitivo dos salários dos trabalhadores. “Eles são consumidores”, lembra.





Os Estados Unidos e boa parte dos países europeus atravessam uma crise.
Como o aquecimento da economia interna pode contribuir para que o Brasil
seja menos afetado por ela?

Se o país continuar crescendo em 2011 e 2012, ainda que num ritmo menos intenso, isso pode funcionar como um "amortecedor" para os impactos da crise mundial. O crescimento gera um círculo virtuoso, onde emprego, renda, arrecadação de impostos e consumo dinamizam o sistema econômico.


Qual a importância da categoria metalúrgica, em particular, conquistar aumento real de salários na Campanha Salarial 2011?

A manutenção de ganhos reais significa manter o poder aquisitivo dos salários, ainda mais com a inflação um pouco mais elevada nesse ano. E, se o poder aquisitivo dos trabalhadores for mantido, eles continuarão consumindo, ou seja, manterão a "roda" da economia em movimento. Na economia da região de Betim é significativo o impacto dos reajustes dos metalúrgicos. Segundo cálculos recentemente feitos pelo Dieese para o Sindicato, se os metalúrgicos obtiverem somente a reposição da inflação nessa data base, considerando as principais empresas da região - com exceção da Fiat - e considerando, também, o pagamento da PLR, serão injetados quase R$ 150 milhões adicionais na economia até setembro de 2012. É um volume de recursos bastante expressivo.


Qual deveria ser a atitude das empresas na negociação deste ano?

As empresas deveriam ser as mais interessadas em manter o poder aquisitivo dos salários dos trabalhadores, pois eles são consumidores! O que ganham, gastam. Não manter o poder aquisitivo dos salários é como "matar a galinha dos ovos de ouro" do sistema capitalista.

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